Eu já tinha mais de dez anos, mas não lembro de nada, do transporte, do percurso, acho que sempre levava alguma irmã menor no colo.
Mudamos, para outro local, uma cidade até grande, não sei se a pedido do meu pai,ou foi uma transferência de rotina.
Eram dias de fartura e alegria, fomos recebidos com a casa limpa e comida pronta,
Foi questão de meses e já estávamos de ida, agora para isto São Paulo, sonhos do meu pai, pesadelos para família, minha mãe não queria ir, as minhas irmãs estavam ainda, convalescentes de um sarampo. desta vez iríamos de navio, por sorte fomos de ónibus, naquele tempo sempre enjoava nas viagens .
Quando chegamos na igreja de Santos, ficamos o dia todo sem comer praticamente nada, as crianças menores tomaram leite, os outros uma sopa depois do culto da noite.
No dia seguinte alguém nos cedeu uma casa , enfim um teto para ficar abrigados com alguma dignidade, logo ganhamos fogão, e alguns moveis, desta vez fomos só com o dinheiro da passagem.
Mas meu pai adoeceu, minha mãe como uma brava lutadora foi pela primeira vez trabalhar, sua vontade de vencer as dificuldades foram maiores do que deixar os filhos tão pequenos em casa, e fazer faxina em apartamentos de temporada foi a solução.
Logo meu pai sarou, e mudamos novamente para uma cidade bem perto dali.
Seria seu novo trabalho como pastor, ficamos em uma casa de tipo um galpão e em poucos dias estávamos morando numa casa grande e bonita, penso que a melhor de toda minha infância .
Por pouquíssimo tempo, pois se firmar em um local, parece que não lhe passava pela cabeça.
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