15/09/2010

Marcas do tempo

Eu que pensava que tinha marcas na minha alma, vi que estava enganada,   quando tive uma conversa inesperada com meu pai.
Ele nunca havia feito comentários sobre sua vida, até aquele dia,  não que fosse fechado, talvez só quisesse que aquilo ficasse guardado na sua alma, uma coisa só para ele, uma forma  de não lembrar o que passara, pois tivera uma infância marcada  pela dor e orfandade, pela pobreza estrema e humilhações , meu avô falecera quando ele tinha três anos.
No dia em que me contou como a mãe, que era casada com um homem mau,da vida de agruras, dos golpes da vida. .Tentei disfarçar as lágrimas , pois vi que estava falando com muita emoção dos dias que vivera.
Numa certa manhã, minha avó acordou as crianças, meus meu pai e irmãos e foram para colheita
do milho e feijão, lá chegando um senhor os disse; vocês não podem entrar aqui ,isto agora me pertence, seu marido me vendeu tudo e foi embora.
Foi um golpe duro, ficaram naquele ano de tanta fartura sonhada, a mendigar o pão.
Aquele foi um ano de penúria, pois mesmo que minha avó trabalhasse para alguém, não dava para sustentar os filhos a maioria pequenos,  parece que meu pai tinha uns sete anos naquela tempo..
Sei que seus irmão foram dado em adoção para os padrinhos,duas irmãs, depois de anos deram noticias e sempre se viam, mais tem um irmão, que até hoje não fez nenhum contacto com a família.
Mas minha avó  criou os filhos apesar de toda dificuldade ,pois era uma senhora guerreira e resistiu a tudo.
Meu pai ainda garoto trabalhava em um engenho de cana, era ele quem alimentava os fornos com lenha, e trabalhava desde a  madrugada, até tarde da noite.
Mais posso dizer que ele venceu ,pois obteve uma profissão diferente, daquela da infância, e criou os filhos hoje todos bem .
Para  não o constranger, não  voltei a falar  sobre isto.

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